Hiperproteção
Atualmente, assistimos a um paradigma social que tende, muitas vezes, a proteger em demasia as nossas crianças. Todos os dias surgem notícias sobre brincadeiras "perigosas" mas até que ponto devemos intervir? Até onde deve ir esta nossa necessidade de proteger quem mais amamos? São questões sobre as quais iremos refletir de seguida.
12/15/20252 min read


Até onde deve ir a necessidade de proteção por parte do adulto? Pois bem, com a crescente circulação de notícias sobre os potenciais riscos que brincadeiras como a apanhada ou, trepar às árvores podem acarretar para as crianças, não conseguimos ficar indiferentes e decidimos refletir sobre este tema no post de hoje.
A investigação científica em áreas como a educação, psicologia do desenvolvimento e as neurociências tem enaltecido que a exposição gradual e controlada ao risco é um elemento essencial para o desenvolvimento infantil. Sandseter (2010) e Brussoni (2015) indicam que atividades que envolvem velocidade, altura, contacto com elementos naturais ou desafios físicos contribuem diretamente para o fortalecimento da autoconfiança, da autonomia e para o desenvolvimento de competências ligadas à motricidade e à cognição.
Sendo conscientes da importância do risco porque muitos de nós continuam a impedir, sistematicamente, este tipo de experiências?
Temos medo e projetamos essa nossa ansiedade para a criança? Temos medo que aconteça algo de grave e não conseguir lidar com o sentimento de culpa por não termos sido "bons pais" ou "bons cuidadores"? Também não tivemos liberdade e não sabemos até que ponto agir com os nossos filhos?
Sem dúvida alguma que proteger é um ato de cuidado, mas a proteção também precisa de ser acompanhada de confiança. Confiar na competência da criança, confiar no processo de desenvolvimento e confiar no próprio papel do adulto enquanto guia ou orientador.
Vamos recorrer agora a um exemplo do nosso dia-a-dia. Imaginemos a seguinte situação: estamos num parque público, com uma criança de 3 anos que ao explorar o espaço circundante, tropeça na relva, quase cai mas recupera o equilíbrio e continua. O adulto que a acompanha, tem a seguinte reação: corre atrás dela, agarra-lhe o braço, impede-a de ganhar velocidade e diz “não corras, vais cair novamente”.
Esta "quase" queda representa um perigo real?
Quando a proteção supera a limite do razoável, deixa de promover o bem-estar e o desenvolvimento da criança. Não esqueçamos que quando o adulto intervém em excesso, pode passar mensagens implícitas à criança, como "não és capaz", "o mundo não é seguro" ou "é melhor dependeres de mim".
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